Comunicação Comigo Mesmo

Por Anette Leal

Todas as experiências, quer sejam agradáveis ou nem tanto assim, devem servir para que a consciência desperte para essa realidade: a de que cada ressoma é uma oportunidade para investir em seu próprio crescimento. Tal investimento implica em trabalhar da forma mais lúcida e realista que lhe for possível, conduzindo-se pelo autoquestionamento e pelo autoenfrentamento, visando à autossuperaçao, à reconciliação e à assistencialidade.  

Neste processo de desenvolvimento, um dos requisitos básicos é a Comunicabilidade, significa dizer o ato da consciência comunicar-se de todas as naturezas e formas, consigo mesmo e de forma interconsciencial nesta e nas demais dimensões. Portanto, em princípio, já podemos entender a comunicação como todo ato de relação entre consciências, independentemente da quantidade e da dimensão em que se encontrem.

As nossas reflexões têm por tema geral a Comunicação Evolutiva, aqui entendida como “a capacidade madura de autoexpressão verbal, não verbal, escrita, energética e parapsíquica, realizada pela consciência lúcida da autoevolução, buscando interassistência eficaz nas interlocuções multidimensionais e visando prioritariamente à tarefa do esclarecimento”.

Essa autoexpressão compreende as várias formas de que se vale a consciência para fazer contato consigo mesmo e com as outras consciênciências, a partir do desenvolvimento das seguintes habilidades: saber ouvir, saber falar, saber ler, saber escrever, saber traduzir e saber pensenizar. São habilidades linguísticas, energéticas e parapsíquicas que permitem à consciência buscadora realizar plenamente a sua comunicabilidade, em elevado nível de autoconsciência e de Cosmoética, nas diversas interlocuções e manifestações intrafísicas e extrafísicas.

 O pensene (pensamento + emoção + energias) é a base da autoexpressão da consciência em qualquer dimensão. A pensenidade (qualidade de produção dos pensenes) sadia promove salto de qualidade e de diálogo da consciência, tanto consigo mesma, quanto com outras consciências. E a autopensenidade (qualidade de produção dos próprios pensenes) é o termômetro ou métrica da qualificação, da intensidade e da intencionalidade da consciência.

O ato comunicativo inicia-se pela autopensenidade, que está na origem do autopensene, e pela autoexpressão, que é a manifestação na fala, na escrita, nas energias, no comportamento de uma forma geral.

São princípios determinantes da Comunicação, dentre outros:

– exemplarismo pessoal = fundamenta a comunicação interassistencial

– hiperacuidade mental = previne malentendidos

– coerência entre gesto e fala = autopensenidade coerente.

As possibilidades de interlocução da consciência podem assim ser representadas:

  1. Conscin – consigo mesma (comunicação intraconsciencial ou autocomunicação multidimensional)
  2. Conscin – conscin (comunicação interconsciencial na dimensão intrafísica)
  3. Conscin – consciexes (comunicação interconsciencial , interdimensional, no estado projetado ou não).

Hoje vamos refletir sobre o processo denominado “comunicação intraconsciencial”: a simples existência de uma consciência (que sou eu) já implica em diálogo, no mínimo, comigo mesmo. Podemos chamar a comunicação intraconsciencial também de solilóquio, autocomunicação, reflexão ou ainda autorreflexão).

É a comunicação da consciência consigo própria de modo articulado e sequencial, encadeando seus pensamentos de modo lógico, coerente, em busca do entendimento de algum problema proposto.

Desse modo, o que estamos propondo hoje é entender que essa comunicação comigo mesmo não é sinônimo dos meus pensamentos, estritamente falando. Essa comunicação exige que haja o emprego da vontade para a auto-observação, um mínimo de lucidez e o propósito do autoconhecimento. Não é simplesmente um monólogo interior, o qual muitas vezes é fruto de desequilíbrio pensênico.

No solilóquio ou autorreflexão, a produção dos pensamentos, emoções e energias representa espiral crescente de idéias e avanços na autoconsciência, na autolucidez e no autodiscernimento. Favorece a retilineraridade do pensamento, com o foco na temática a ser refletida.

Na comunicação intraconsciencial ocorre a coincidência dos interlocutores: emissor e receptor são a mesma consciência e se processo dentro de seu microuniverso.

A autocomunicação é, pois, um processo comunicativo interior que implica mapear, dentre outros aspectos, a autopensenidade, revelando a importância da autolucidez da própria consciência quanto à existência da autocomunicação, muitas vezes não reconhecida e desvalorizada.    

  “A pausa para reflexão é decisão lógica e providencial contra distorções ou mau uso das informações. A reflexão profunda funda-se ainda no pen do pensene e, de forma raciocinada, leva ao esclarecimento das próprias emoções. Dedicando-se à reflexão, estudamos a real intencionalidade dos nossos propósitos”.

Pensar sobre a qualidade da comunicação, começando por mim, é desfrutar de  oportunidade para análise e, se necessário, para reciclar os usos que tenho feito dos meus saberes comunicativos. É oportunidade, pois, de autoconhecimento, autoenfrentamento, autossuperação. Enfim, de crescimento.

A autopensenização tem como um de seus limites máximos o de se restringir a um ato cosmoético, pesquisístico, abrangente para consigo mesmo visando ao crescimento pessoal. Então, refletir sobre os pensenes e descobri-los não necessariamente tão sadios e cosmoéticos como eu imaginava, deve ter o propósito de me levar ao autoconhecimento e autoenfrentamento sinceros. Não é pretexto para autopunição ou estagnação.

“Ousar entender o próprio modo de pensenizar pertence ao universo da autopesquisa” (Ana Seno).

A autopesquisa leva a consciência à investigação do seu cenário mental, íntimo, intraconsciencial onde produz seus pensenes, descobrindo as características, tipos qualidade, intencionalidade, origem e estímulos dos pensamentos, das emoções e do uso das energias.     

O autopensene é constantemente gerado e sempre observável. No entanto, tal observação requer atenção, disciplina, autoconsciência. A maioria das pessoas não está atenta a essa incessante produção de seus pensenes, permanecendo inconsciente a estes e, portanto, desconhecendo o seu próprio universo íntimo.

Experimente observar-se, dedicando um tempo para perceber seus pensamentos… Procure verificar com que velocidade eles são produzidos. Atente para perceber algum padrão nesses pensamentos. Anote suas observações. Depois, faça o mesmo exercício, concentrando-se porém nas suas emoções. Ninguém vai perguntar pelos resultados ou se você conseguiu ou não. É apenas uma sugestão de estudo que só interessa a você mesmo.  

“Os autopensenes só se aperfeiçoam através da reflexão” (Waldo Vieira).

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